Dica aos jovens: que curso fazer na faculdade?

Dica aos jovens: que curso fazer na faculdade?

Que curso fazer na faculdade?

Decidir que curso fazer numa faculdade pode representar escolher que porta abrir dali para frente em sua vida.
Muitas opções estarão presentes, mas, o que devo escolher?

Pergunta comum… com respostas que ninguém, exceto a própria pessoa, pode responder.
Seria muito simples a resposta, se estivéssemos com nossas antenas “ligadas” e captando só o que nos interessa… mas raramente isso ocorre.
Em vez disso, poluímos nosso “filtro” com milhares de informações e referências e nada parece fácil… ‘nem sei o que quero, nem sei de que gosto’ e assim vai…

E misturando informações que mais confundem que esclarecem, o fato é que o jovem deixa de ser o dono da escolha, da decisão… passa a seguir um rumo com o qual não está sintonizado… nem sabe para que vale… e nem se vale mesmo… mas ‘sabe’ que é valorizado pelo ‘mercado’ ou por outros. ‘É a melhor opção, o que dá mais dinheiro’, e assim segue.

Por quem é valorizado?
‘Ora, …não sei, só sei que falam tanto, que ou acaba entrando na minha cabeça ou ela fica vazia’.

Além disso, há algumas referências que enganam, tipo: ‘ganha-se bem fazendo tal atividade’… ‘veja: a concorrência é grande naquele curso, é o mais difícil… por certo deve ser o melhor…‘ e assim vai.

Com algumas distinções, uma variedade de pontos que parecem importantes ali surgem; mas, até que ponto são realmente importantes?
O fato é que o jovem procura resolver essa situação, mesmo sem lembrar de como, por quê e por quem ela foi gerada.

Começa-se a ouvir ‘especialistas’. (Em quê? Em ser felizes?)

Dá-se o exemplo de pessoas bem sucedidas (Pelo prisma de quem?).
Por fim, sem ainda ter amadurecido, uma decisão é tomada… ponto final.
A partir dali, o jovem tenta se convencer que tudo o que vem é normal e faz parte do processo…

Bem, neste momento, proponho interromper o fluxo dos passos dados até aqui – sugiro uma reflexão para todo aquele que está buscando escolher um caminho para seu futuro.

Um fato é que dificilmente haverá tempo para amadurecer o suficiente até poder tomar uma decisão, mas quem tem que ter amadurecido, você ou a ideia? Eis a questão!
A ideia pode ser amadurecida, independente de sua idade ou do tempo.
Bem, como amadurecer uma ideia?
Ao meu ver, o melhor jeito é relacionando a ideia com o que é mais importante, que é o propósito – que, de fato, faz a ideia existir. Quando você percebe um propósito em fazer algo, a sua ligação será com o propósito e não com as ideias.
E como identifico um propósito?
Com porquês e para quês!
Para chegar nestes ‘porquês’ e ‘para quês’ sugiro os seguintes pontos para refletir:

Pontos para refletir:
1)Tente o mais que puder ser o dono de suas escolhas e decisões – por mais fora do padrão ou erradas que possam aparentar ser. De fato, suas escolhas e decisões te conduzirão a um caminho, que é o teu, escolhido por você!… Percorra-o da melhor maneira que puder. Você o criou… você o escolheu! Ele é o teu caminho!

A sua responsabilidade é torná-lo atraente! Para você mesmo, primeiramente. A partir daí, você poderá visitar outros caminhos e apreciá-los, sem medo, mas sempre sabendo qual é o caminho que escolheu. Mas aqui vale uma lembrança: não caia na ilusão de que será tudo fácil, agradável e que não terá obstáculos a superar e desafios a conquistar. Todo caminho tem suas dificuldades e decepções. Seja com pessoas com que trabalhará ou com atividades que não seriam as suas preferidas.

Não confundir ser o dono das decisões naquilo que realmente interessa, em essência, com a superficialidade ou imaturidade de não participar de atividades coletivas, só porque não foi você quem decidiu o que fazer ou porque não é exatamente o que esperava. Estamos falando aqui de um caminho a escolher – que conduzirá a seu futuro; de que faculdade escolher; de sua atividade profissional em alguns anos.

Esteja consciente, mesmo que ainda não entenda completamente, que quando ama o que faz, as dificuldades ou desafios, decepções ou frustrações, não estarão ali para te derrubar, ou para te desanimar; quando há um propósito e um comprometimento nascidos de dentro para fora, todos esses “obstáculos aparentes” te ajudarão a ser uma pessoa melhor.

2) Só escolha aquilo que realmente te toque o coração… não se limite a ficar na superfície daquilo que está sendo valorizado no momento… tipo o dinheiro ou a empregabilidade… etc. Pergunte-se: Gostaria de fazer esse tipo de atividade o resto de minha vida?
Coloque sua tela mental para trabalhar: visualize-se em momentos simples do dia a dia fazendo aquele tipo de ação. Como você se enxerga nessas cenas: feliz, bem com você mesmo? Isso ajudará a mostrar se você realmente gosta daquele tipo de atividade.

É importante saber que você não está sendo influenciado/a por visões limitadas e limitantes. Vale lembrar Tolstoi: Há quem passe pelo bosque e só veja lenha para a fogueira. Enquanto exercita seu passeio pela tela mental, busque enxergar seu olhar, sua fisionomia, cores do que te cercam, pessoas com que lida; procure sentir sua respiração, sua postura naqueles momentos. A sua intuição te mostrará se é algo que tem a ver com você ou não.

3) Voltando ao campo da sua vida presente. Busque encontrar uma só pessoa – que tenha decidido fazer aquilo que gosta e acredita (O que quer que seja). Ao estabelecer essa meta, seja andando na rua, seja observando pessoas que se apresentam nos cenários de sua vida, a pessoa surgirá, não se importe se isso acontecer em uma hora, um dia , um mês ou mais. Quando surgir, apenas observe como a pessoa interage com o mundo, o que é importante para ela: são os grandes resultados ou seus momentos fazendo aquilo que gosta? Pare para pensar. E coloque a meta de encontrar uma só pessoa que tenha escolhido viver do que gosta e que não esteja vivendo de maneira satisfatória com ela mesma e com o mundo ao redor dela.

4) Perceba quem é mais feliz: quem tem resultados valorizados pela sociedade que a cerca, ou aquela que valoriza aquilo que faz, independente da visão dos outros?

5) Acostume-se a perceber os valores naquilo que ninguém valoriza… Assim, naturalmente, você perceberá do que você gosta ou não. Esse exercício te ajudará a ter clareza para saber o quê e quando fazer.

6) Questione, pelo menos internamente, o convencional e a rigidez… Eles, em excesso, dificultam uma vida espontânea e rica em atitudes genuínas.

Como quero viver minha vida: com hábitos que me ajudam a ter momentos de alegria e harmonia interior ou de monotonia e de ausência de propósitos?
São os momentos que ajudam a iluminar e preencher nossas vidas. Conforme nossas escolhas, serão os momentos vividos por nós.

O convencional e a rigidez em excesso restringem a criatividade e a simplicidade, assim como a força do livre arbítrio.

7) Universo de possibilidades. A sugestão a seguir é pegar uma folha em branco e desenhar várias nuvenzinhas. Em cada uma delas relacione uma área que desperte seu interesse. É fundamental abrir o leque de possibilidades. Viaje pelas águas do oceano, mergulhando no universo subaquático, navegando pelos mares, passeando pela terra, subindo as montanhas, voando pelos ares, experimentado-se nos limites de nossa atmosfera e indo além, pelo nosso sistema solar, nossa galáxia e pelo universo estelar. Não se atenha apenas às atividades convencionais. Em cada cenário desses encontrará seres, plantas, animais, sons, músicas, cores, desenhos, aromas, desafios e possibilidades que se relacionam com atividades que podem se abrir a você. Algumas delas têm mais a ver com sua natureza íntima. A tarefa é permitir-se sentí-las e perceber qual ou quais delas tocam mais seu coração.

Após ter algumas nuvens-temas já preenchidas; só depois mergulhe em cada uma delas, avaliando o quanto ela realmente te atrai. Em cada nuvem, pendure palavras que sejam relevantes àquela atividade listada. Seja autêntico nas anotações e vá além dos padrões ao anotar palavras. Lembre-se de fazer o exercício de visualizar-se exercendo aquela atividade. Veja-se em momentos simples do dia a dia exercendo aquela atividade.

Parece muito trabalhoso e intenso fazer isso para escolher um caminho em sua vida ou qual curso deve escolher na faculdade?
Bem, é melhor amadurecer a ideia dentro de si e escolher, por si, que seguir uma ilusão que te aponta um caminho fácil, mas enganoso; para então descobrir, lá na frente, que sua escolha nada tinha a ver com você, verdadeiramente.

Sugiro ir na essência da atividade e ver sua relação verdadeira com aquela área.
Um exemplo: Ser médico? Ah é legal, valorizado, as pessoas reconhecem, respeitam, certo?
Bem, isso não interessa nem um pouco na escolha. A pergunta aqui deve ser: qual é o meu sentimento no trabalho de curar pessoas?
Se o amor não está em seu coração, esqueça; você nunca exercerá aquela função sentindo felicidade em seu íntimo; e pior, daria mau exemplo a futuros médicos.

Um outro exemplo: Ser advogado? Vá na essência: você sente profundo respeito à ética, ao que é direito, ao justo, ao correto? Sente que seria uma pessoa devotada à dignidade humana e aos direitos, em suas várias frentes? Sente felicidade ao pensar no generoso sacrifício à ética, à moral e ao direito? Conviveria com isso tudo com amor verdadeiro em seu coração?

Ou quem sabe: ser um diplomata? Mergulhe na essência na essência das relações com a diversidade de culturas em nosso planeta, na amplitude de cenários, de harmonia ou de conflitos, de riqueza ou de extrema pobreza. Ao passear pelas várias possibilidades, sinta a essência de você exercendo aquela atividade. Ao passar pelos vários cenários, continua exercitando o amor em servir em seu coração?

Faça esse exercício, com a área que te parece ser interessante. Seja um esportista ou um músico, um escritor ou um mergulhador, um engenheiro ou um fisioterapeuta, um professor ou um voluntário humanitário, um físico ou um dançarino, um ator ou um matemático, um piloto de jatos ou um policial; não importa a área, vá na essência do que é ser um servidor naquela área.

Visualize, o que a lembrança daquela atividade ativa em você. Os aspectos que te surgem estão relacionados a interesses superficiais, honrarias e reconhecimentos superficiais; ou ainda submissão a interesses materiais? Ou, de fato, sente que seu coração brilha quando você pensa em se dedicar àquela atividade?
Para fazer esse exercício, leia o próximo item para complementar sua experiência.

8) Pense nas atividades do dia a dia que mais gosta de fazer; pense com calma, esqueça o mercado, os cursos de faculdade, simplesmente pense naquilo que gosta.
‘Ah, gosto de esportes’. Por que não procurar algo relacionado a esportes.
‘Ah, gosto de ver documentários que mostram os cenários de nosso planeta’. O que isso te diz?
‘Ah, eu gosto de música mais que tudo’. Por que não procurar algo nesta linha?
‘Ah, eu já me ligo mais em matemática, cálculos’. Por que não adentrar mais na filosofia que cerca este universo, há muita coisa interessante nele.

‘Ah..eu não tenho nada de que realmente gosto!’
Será?
Apenas reflita: há alguma coisa que te atrai mais que as outras, é questão de observar. Ao observar certos hábitos que você têm, pode até parecer bobagem para você, mas bobagens podem mostrar-lhe do que gosta.
Exemplos: você pode gostar de comer, ficar sem fazer nada, andar, dormir, assistir filmes, contar estórias, ficar com alguém, sei lá.
Apenas pergunte-se: por que você é atraído a gostar daquilo ou de alguém?
Ao ter uma resposta, pergunte-se de novo: mas por quê? O que me atrai naquilo ou naquela pessoa?
Nova resposta e, se necessário, nova pergunta, até chegar a uma resposta que indique algo mais a ver com sua natureza. Do que realmente gosta e do que realmente atrai sua atenção. A partir daí, dos porquês você começará a juntar o sentido dos para quês. Para que fazer isso? Porque …
Isso tem a ver com propósito – de vida, mais que de convenções e padrões.

Ao perceber internamente de que gosta, ao sentir mais como você é, como é sua natureza, você começará a ver que suas escolhas e decisões terão mais a ver com propósitos que com ideias. Estas (as ideias) poderão mudar, de acordo com os cenários, momentos e situações, mas o propósito, este será mais profundo e mais estável. Ao ver esse processo acontecendo, mesmo as idéias começarão a ser mais originais e com um “que” pessoal.

A ideia é começar a identificar qual – no planeta todo, pode ser um caminho para você experimentar o que gosta no seu dia a dia. O propósito, talvez seja o de ser feliz. E, sendo feliz, interagir com outros e com a natureza.

O exercício que terá que fazer será o de sair da camada superficial e tentar ver o que tem mais a ver com você neste planeta. Siga sua intuição, lembrando sempre que, com certeza, há algo especial para você, que fará você sentir-se mais especial naquela atividade, de um jeito em que naturalmente você venha a se tornar bom naquilo, de uma maneira sua, pessoal. Essa percepção pode mostrar o seu sentido de vida. E este sentido ajudará a mostrar que suas escolhas e decisões têm que estar no mesmo sentido daquilo que você quer para você. Quando se está consciente disso, as suas escolhas parecerão mais leves e mais naturais. Por trás dessa leveza há uma constatação: O que pode mudar nossa vida é a nossa consciência. E, de algum modo, você perceberá que sua identidade está no seu sentido de vida.

Fica aqui a dica: não se limite às atividades convencionais, há um universo de opções muito pouco conhecido ou valorizado pela maioria. Lembre-se também que há áreas que até são conhecidas, mas que são bem pouco lembradas quando a pessoa pensa em focar como área principal em seu futuro, como espiritualidade, por exemplo, um universo tão importante e amplo; ou sustentabilidade, de que tanto se fala, mas há tanto a construir; diplomacia, ecologia, agronegócio, literatura, astronomia, artes, línguas, filosofia, aeronáutica, marinha, física, e, esquecida principalmente no Brasil, talvez a mais importante das profissões, mas uma das menos lembradas pelos jovens e pelo estado, a de professores. Pense numa nova educação, não na que está por aí. Pense num mundo a ser redirecionado para um mundo melhor.

O futuro é para ser criado, participe dessa criação, dando seu melhor.
Bem, a escolha deve ser feita por você. Use a intuição, escute seu coração e seus ideais. Eles têm voz dentro de cada um de nós, escute-os.

Platão dizia que mais importante que o caminho escolhido é o porquê você escolheu aquele caminho.

Para pensar, concorda?

Autor: Herbert Santos Silva
Site Intuicao.com
Uma sugestão de site a ser visitado é o das Nações Unidas: https://unjobs.org Ali há inúmeras possibilidades que, talvez, ajude a lembrar o quão amplo é o campo de possibilidades de trabalho no nosso planeta.