Encontrando a Menina Mestra - Cap. 7 Ouvindo as Estrelas

Encontrando a Menina Mestra - Cap. 7 Ouvindo as Estrelas

Ritmo, Tempo para si, Constância e Persistência, Novos Valores, Mudanças, Escutar com o Coração e Fluxo Natural, são alguns dos temas de ‘ENCONTRANDO A MENINA MESTRA’, capítulo 7 do livro Ouvindo as Estrelas, hoje publicado aqui no site Intuicao.com – Para sua apreciação. Confira!

Livro Ferhélin, Ouvindo as Estrelas

Para dar uma breve ideia dos temas deste capítulo, veja abaixo sumário com os subcapítulos de ‘ENCONTRANDO A MENINA MESTRA‘. (Para ir a um deles, basta clicar no subcapítulo ou – para leitura co capítulo todo, é só dar sequência nesta página)

Jovem Mestra Lake Louise

O foco deve estar nas pessoas,
não nas ações.

O local ficava a uns 70 km de Banff. O alojamento em que Ferhélin se hospedara ficava próximo ao Lago Louise, ‘um dos lagos mais espetaculares que jamais esqueceria’ . Aliás, um dos motivos que a levaram a visitar as Rochosas Canadenses foi ter visto algumas fotos desse lago ainda no Brasil. Ela aguardava conhecer aquele lago com ansiedade. 

Logo estaria lá. Era um lago maravilhoso, ainda mais bonito que nas fotos que a impressionaram e a inspiraram a fazer aquela viagem. Não era grande, mas estava envolvido por uma beleza incomparável: o azul das águas, a colina à esquerda, com pinheiros em toda a extensão, as árvores à direita, ladeadas por um caminho ao longo do lago com trilhas que levavam ao interior da montanha e, ao fundo, uma geleira que descia em direção ao lago. O cenário era magnífico.

Com sua pequena mochila às costas e usando um pequeno chapéu branco de pano, experimentava muita emoção. Lá teria mais um dia especial, envolvida pelo lago e pelas Rochosas.

Pela manhã, passeou por toda a sua extensão, sentou-se sobre as pedras à margem do lago, meditou, observou o cenário em todas as direções e se entreteve com os esquilos que, por entre as pedras, pareciam brincar de esconde-esconde. Em tal cenário, que tanto a agradava, ela teve uma manhã leve e divertida.

Mais tarde, no gramado do jardim próximo ao lago, enquanto fazia um lanche leve, Ferhélin teve um encontro muito especial, desta vez com uma jovem, que como vocês constatarão, a surpreendeu, e muito. Ela a chamaria de ‘Menina Mestra’.

Era uma mulher jovem, em seus vinte e poucos anos, vinda de um pequeno vilarejo próximo a Zurique, na Suíça com população de aproximadamente seiscentos habitantes. Ela estava só, sentada no gramado verde, perto de onde Ferhélin se sentara. 

Em certo momento, Ferhélin lhe ofereceu uma barra de cereal que ela agradeceu, mas não aceitou. Foi assim que elas iniciaram aquele encontro.

A jovem, que estudava inglês em Victoria, na ilha de Vancouver, no lado oeste do Canadá, estava aproveitando uma folga de duas semanas para fazer aquele passeio pelas Montanhas Rochosas. 

Ao ver aquela jovem de olhos azuis brilhantes, cabelos castanho claro soltos ao vento, pele clara, vestindo jeans e tênis e usando um pequeno piercing de cristal no nariz, Ferhélin nunca poderia imaginar o quanto ela a surpreenderia.

Após aquela introdução inicial de apresentação, conversaram um pouco sobre o quão amigável as pessoas eram no Canada, sobre como a natureza era maravilhosa lá e sobre outras amenidades. Logo, as duas decidiram caminhar ao redor do lago.

O Sujeito da Ação

Vários turistas andavam em grupos e, de vez em quando, via-se um ou outro perdido, correndo à procura de seus colegas. Em um destes momentos, Ferhélin comentou com a Menina Mestra:

As pessoas estão cada vez mais ocupadas. Até mesmo num passeio as pessoas têm suas agendas apertadas. Como arranjar tempo para se dedicar especialmente a algo?

A Menina Mestra aparentava ser tímida, mas Ferhélin já tinha a experiência de convivência com muitas de suas alunas na faculdade e sabia que, além daquela aparência de menina existia uma mulher de muitas qualidades.

Aquele se tornaria mais um encontro inesquecível para Ferhélin.

Olhando bem para Ferhélin, ela disse: — É, no mundo de hoje tudo é corrido, mas quem o fez assim? O próprio ser humano. E há ainda a questão da prioridade. Qual é a prioridade hoje em dia?

Logo, respondeu à própria pergunta:

— A ação! Tenho observado que a prioridade não está no sujeito da ação, mas está no ato em si.

Ferhélin observava o desenrolar daquela ideia. 

— A realidade é que as pessoas estão sendo educadas para melhorar a execução das ações. Treina-se a pessoa, de fato, não como pessoa, mas como executora de uma ação.

Tempo para si

Vejo que, se quisermos realizar bem todas as atividades para, então, no tempo que sobrar, dedicarmos tempo às pessoas, como seres humanos que são, cada vez haverá menos possibilidade de se mudar essa realidade.

O que acontece é que cada vez mais as pessoas se sujeitam às ações que cercam suas vidas, até mesmo num passeio pelo lago — disse a Menina Mestra, sorrindo.

— O que você acredita que possa mudar esta situação? — perguntou Ferhélin. 

— Sabe, tenho pensado nisso. Sinto que a chave está numa palavrinha: prioridade.

A prioridade precisa ser mudada. O foco deve estar nas pessoas e não nas ações.

Quem é que tem que receber a prioridade: a ação ou quem executa a ação? Perguntou ela.

— Como você entende isso? As pessoas vivem em seu dia a dia e não podem simplesmente romper com tudo para se dedicarem a si mesmas. Precisam sobreviver, sustentar a família, como fazer? — questionou Ferhélin.

— Penso que todo mundo precisa, de alguma maneira, criar um tempo mínimo para si diariamente. Um tempo apenas para si, sem TV, sem telefone, sem interrupções.

Lá onde moro, tanto em casa como na escola, fui ensinada a apreciar a natureza, a observar os animais e os pássaros, a andar descalça – quando não era inverno, disse sorrindo.

Sinto que com aquilo, eu aprendia a gostar de fazer as coisas simples, estando sozinha ou com outras crianças amigas, você entende?

A CONSTÂNCIA NO Ritmo

Aprendi que não era necessário estar sempre ‘ocupada’ ou ‘fazendo algo’ ou ‘comunicando-me com alguém’. Nada disso! Acho que aprendi a apreciar a vida, penso que esta foi a essência do que aprendi desde criança.

Ferhélin sentia a luz daquela jovem fluindo ao seu redor. Seu olhar era de alguém especial, que parecia saber qual era seu papel no mundo.

A Menina Mestra continuou:

— Pessoalmente, gosto de refletir, de meditar, de orar. Penso que cada pessoa pode escolher o que fazer num tempo que seja apenas dela.

Este é um requisito mínimo. Um tempo só seu, todos os dias. Sem isso, não há como a pessoa promover mudanças em sua vida — insistiu.

E acrescentou: – Na prática, penso que este tempo deva durar pelo menos trinta minutos e todos os dias. Se não der, pelo menos alguns minutos.

Se a pessoa não fizer algo assim, ela acaba sendo envolvida num redemoinho que envolve informações, conversas e atividades e isso acaba por virar rotina, dia após dia.

Ferhélin estava, em verdade, surpresa ouvindo aquilo tudo, ainda mais vindo de uma pessoa jovem. O que ela dizia era algo que tinha um lado de ingenuidade e também um lado de sabedoria.

Essa seria a tônica daquele encontro. A Menina Mestra tinha ‘aquela’ certeza no que falava, o que encantou Ferhélin, desde o início daquele encontro.

A pessoa que reserva um tempo assim para ela mesma já está fazendo algo especial, não acha? Há pessoas que trabalham e, em algum momento, geralmente no final do dia, buscam fazer aulas de meditação, de relaxamento, de shiatsu ou cursos alternativos — disse Ferhélin.

Olhando-a nos olhos, a garota disse:

— Sim, isso pode ser útil, mas estou falando de um tempo especial ‘mesmo’, da pessoa consigo mesma, durante o qual possa dizer: “eu sou livre e vou escolher o melhor para mim neste tempo”.

Ela tem que sentir-se consciente para escolher o que lhe traz benefícios, ou ainda, que leve benefícios a outros. Fazer a escolha de não entrar na roda viva da ação. Você entende?

Ferhélin nada respondeu. Apenas a olhou com carinho e muito respeito. Aquela jovem não parecia estar falando apenas por falar, havia sentimento nas suas palavras

o mundo pode melhorar?

Enquanto andavam entre as árvores, por uma trilha que saía do lago, Ferhélin perguntou:

— Você acredita que o mundo pode melhorar? E quanto tempo será necessário para o mundo mudar?

— Não sei. Em relação ao mundo melhorar, sim, eu acredito ser possível.

Penso que, se cada pessoa tentar se melhorar, a cada dia – e buscar isso em suas vidas, o mundo será melhor, a cada dia.

Mas isso envolve ir além de visão materialista e concepções egoístas.

Temos que ser mais humanos, mais solidários, mais concientes de nossas responsabilidades conosco mesmos e para com o mundo em que vivemos.

a persistência e a constância

Já, em relação a quanto tempo para mudar o mundo, certamente eu não sei a resposta a essa pergunta. Mas acredito sim, que cada um pode perceber seu tempo pessoal de transformação.

Acredito que a persistência e a constância tem importância maior que o “potencial” e o “talento” de alguém para mudar ou se adaptar a mudanças.

Ferhélin a olhou surpresa: 

— Por que acha isso? 

A mudança é algo que deve respeitar a lei da constância e da persistência. Você está percebendo aonde quero chegar? — perguntou a Menina Mestra olhando para Ferhélin. 

Ferhélin imaginava que sim, balançou a cabeça, deixando-a prosseguir. 

— Você sabe, eu gosto de corridas. Imagine uma maratona. Se você precisa percorrer 42km, não adianta nada você correr os primeiros cem metros em 11 ou 12 segundos.

Veja bem, naqueles 100m você pode ter feito um dos melhores tempos possíveis para aquela distância. Você pode ter a sensação de ter feito o melhor tempo de sua vida e sentir-se super rápida, mas e daí?

Você pode ter sido extremamente rápida nos primeiros 100m, mas e o resto do percurso?

Por outro lado, se você seguir seu ritmo, você pode não ser tão rápida, mas poderá atingir sua meta. Ninguém aguentaria um ritmo tão veloz quanto de 100 m em 11 segundos. Nem mesmo um recordista mundial de maratona.

Acho que é aí que entram a constância e a persistência. Para ter constância, você precisa ter ritmo. Sem ritmo, você se desgasta e “morre” antes da metade da corrida, talvez até mesmo no início.

Ferhélin estava seguindo a idéia da Menina Mestra: cada pessoa tem seu próprio ritmo e, se souber respeitá-lo, chegará lá. 

A Menina Mestra continuava: – Se forçar demais ou de menos, tentando seguir o ritmo de outros, dificilmente atingirá sua meta. Logo se cansaria, ao tentar correr mais rápido do que consegue. Perderia o pique e desanimaria em seguida.

Ou se for lenta demais, seguindo o ritmo de outros, poderia acabar sendo atraída por outros objetivos, esquecendo o propósito inicial e perdendo a motivação.

Após caminharem por algum tempo, Ferhélin interrompeu o silêncio, perguntando:

— O que significa mudança para você?

Olhando para a água de um riacho que corria da montanha em direção ao lago, a Menina Mestra comentou:

— A água é água sempre, não é verdade? Esta água que vemos agora é líquida, mas, se voltarmos aqui no inverno, ela poderá estar congelada, no estado sólido, e veremos gelo aqui. A essência é a água, mas o estado é diferente. Penso que as mudanças seguem esta direção,de transformação de um estado para outro.

A transformação entre os estados passa por uma fase transitória, o que gera o sentimento de insegurança.

Quando estamos em uma fase de transição, como o que experimentamos no mundo de hoje, imagino que seja como estarmos deixando a ‘segurança‘ de alguns valores e paradigmas para trás, mas sem ainda termos chegado num outro ‘estado‘. Por isso percebemos este sentimento de insegurança.

Ferhélin surpreendia-se com a jovem ao seu lado e sentindo-se bem na companhia da Menina Mestra, perguntou: – O que você acha deste momento do mundo? O que é mais importante fazer? 

A Menina Mestra, com alguns cabelos voando pela testa refletiu por alguns momentos e disse: — Penso que as pessoas precisam saber que estamos em uma fase de transição, na qual não há erros da natureza ou de Deus. Elas devem entender que estão em um momento particular e que ele é parte do processo.

É como deixar as margens do rio, onde há segurança e passar a nadar na correnteza. São condições completamente diferentes. A humanidade agora está na correnteza, deixando a falsa segurança dos valores antigos que estão se transformando.

Minha sensação é que a humanidade está na transição desses estados como nunca esteve nos dois últimos milênios. Acredito que, na transição, não adianta ficar racionalizando cada passo. Não é momento para isso. O questionamento é útil, mas tem o momento certo de se manifestar. Pode ser antes ou depois, mas se ficarmos questionando “durante”, estaremos alterando o processo. 

— Interessante! Comentou Ferhélin, convidando a menina Mestra para tomar um café. 

Lá se foram, com suas mochilas às costas, em direção a um hotel próximo à entrada do lago.

Lá estavam, na cafeteria do hotel, um aconchegante salão, sentadas confortavelmente, conversando e apreciando o café. 

Rapidamente haviam se tornado bem próximas.

A Menina Mestra compartilhava suas ideias de como atuar em um mundo em transição. Não mais acreditava nos velhos padrões e na forma dissimulada de líderes ignorarem que o mundo e eles próprios precisavam mudar.

Ferhélin sorria e sentia-se à vontade com aquela companhia. 

— Como você faz com tantas opiniões que ouve no dia a dia? Quando escutar e que opiniões considerar? Como você reage em relação a isso? — indagou Ferhélin.

— Percebo que, quando você está escutando com o coração, há a abertura para a percepção e para o diálogo. Você percebe o que a toca, ou não. É sutil, mas você sente. Não é a razão trabalhando naquele momento. É algo sutil, perceptivo, que toca você de alguma maneira.

Quando racionalizamos demais, naturalmente, dúvidas e bloqueios surgem, tudo pode ser questionado, esta é uma função da razão, não é? Mas tudo pode ser percebido também, e esta é uma função da intuição. Isso funciona para um artista, para um pintor, por que não funcionaria para as pessoas em geral? Concorda?
Ferhélin balançou a cabeça concordando, enquanto continuava a escutar.

– De algum modo, penso que ao usar a razão no momento errado, cortamos o fluxo da vontade natural e da criatividade e tenderemos a nos preocupar mais com as formas e menos com a essência.

Penso que os grandes pintores e artistas em geral, podem até conhecer técnicas e terem estudado muito, mas nas suas obras primas eles foram além da técnica ou dos métodos e usaram a intuição também, eles ‘perceberam’ um algo mais dentro deles próprios.

Quando escutamos com o coração, trabalhamos tanto com a razão quanto com a intuição. E então, percebemos se aquilo tem ou não a ver com você, ou com o que sentimos, e deixamos fluir a razão.

Se algo não me toca, eu ignoro, não desperdiço tempo – nem em analisar nem em pensar naquilo. Simplesmente fico na minha.

— Como você faz isso? — indagou Ferhélin.

— Primeiro, lembro que, ao usarmos a razão, sempre usamos referências. De onde elas vêm? Podem vir de opiniões dos outros, de padrões sociais, de culturas que imperam no momento. Venham de onde vierem, estas referências acabam exercendo grande influência em cada um de nós, elas acabam ‘sufocando’ a intuição.

Perceba como quase tudo funciona deste modo. Quando usamos a intuição, não deixamos de usar a razão. Mas se escutamos primeiro com a razão, adeus intuição.

Escutar com o coração é ignorar as referências por um tempo, mas aí fica mais fácil usar a razão depois. Bem, pelo menos para mim funciona assim, disse ela sorrindo enquanto alguns cabelos dourados caíam sobre sua testa e cobriam seus olhos. 

— Mas como faz isso na prática? — indagou Ferhélin.

— Bem, depende, não há tenho uma fórmula pronta, mas, em geral, se estou assistindo televisão e um programa não me agrada, mudo de canal ou desligo. Se há outras pessoas na sala assistindo, eu saio e vou fazer alguma outra coisa.

Em outra situação, caso esteja acompanhada de uma única pessoa, quando percebo algum assunto negativo, tento mudar a direção da conversa, jogando alguns ganchos no ar. Isso pode mudar o conteúdo de uma conversa. Jogo no ar um outro assunto, mais positivo.

Dependendo do tema, a conversa pode carregar uma energia negativa e desgastante. É o caso de temas sobre violência, fofocas etc. Apenas jogo alguma coisa no ar, tentando desviar o rumo da conversa.

— E funciona? — perguntou Ferhélin.

— Aplico esta prática nos intervalos da escola, mas cabe em qualquer situação. Quando estamos em grupos, isso é mais simples de fazer. Geralmente as pessoas falam por falar, então, o que vier à tona, será o centro das atenções. Caso eu me sinta mal com algum assunto, procuro jogar outro tema no ar. Quando não funciona, caio fora sutilmente.

Elas bebiam o café e apreciavam o fato de estar sentadas confortavelmente naquele salão aconchegante.

— Penso que funcione assim: os cientistas têm o insight e depois elaboram a ideia. Quando consideram que seja o caso, fazem experimentos para comprová-la. É assim que funciona na ciência. Certo? — perguntou a Menina Mestra. 

Após um tempo de silêncio, Ferhélin disse:

— Algumas vezes, sinto que tenho muitos questionamentos. Muitas vezes é bom, e me ajudam a amadurecer ideias e também a entender melhor o que está acontecendo. Em outras, sinto que prejudicam e quebram o ritmo.

Após alguns instantes, como que lembrando-se de algo importante, a Menina Mestra, com o piercing brilhando em seu nariz, acrescentou:

— Em uma coisa eu acredito: questionar antes ou depois, mas não durante. Penso que tudo tem sua vida construída em três partes: antes da ação, durante e após a ação. No geral, sinto que os questionamentos são bem-vindos antes da ação e após a ação, mas durante a ação raramente funcionam. 

A Menina Mestra, espontaneamente, expressava suas ideias com simplicidade e sem sentir-se dona daqueles pensamentos. Ferhélin percebia que a menina Mestra era uma pensadora e que as ideias eram suas constantes companheiras.

Ferhélin então perguntou:

— Qual o problema em questionar ‘durante‘ o processo?

— O problema é um só: você perde o fluxo natural do que está sendo construído ali e isso interrompe a interação, que é intuitiva, e a percepção se retrai. Você acaba perdendo a ligação com o que estava fazendo. É simples: há quebra entre o você-criador e a criação — sua escolha.

Quando perdemos essa conexão sutil com o que fazemos, há a tendência de “engessar” tudo o que fazemos, sejam os métodos ou as maneiras de agir. E o que deveria fluir sem interrupções, começa a esbarrar em obstáculos e barreiras.

Então – disse a Menina Mestra: surgem os especialistas do mundo de hoje, apresentando ideias para superar os obstáculos e as barreiras da melhor maneira. Pegou a ideia? Se a conexão não tivesse sido perdida, os obstáculos e as barreiras não existiriam.

Penso que, ao interromper estes fluxos que nos levariam ao nosso destino, alteramos o rumo natural que nossas vidas deveriam seguir — disse a Menina Mestra, sorrindo, como se aquilo fosse a coisa mais óbvia do mundo. ‘E para ela era!’ Pensou Ferhélin, surpresa como que ouvia.

Uma Ferhélin pensativa lembrou-se do que acontecia quando ela enfrentava interrupções ao começar projetos e não ter energia para concluir o propósito inicial, que parecia ter se perdido no caminho. O sentimento que sempre vinha era o de ter abandonado pelo caminho algo que havia perdido o sentido, que ela nem mesmo sabia qual era mais.

A Menina Mestra continuou a compartilhar seus pensamentos:

— Quando isso começa a acontecer, pode se tornar hábito e gerar insegurança. Será que estou fazendo o certo ou não? Esta questão começa a perturbar a pessoa e a gerar distorções na sua capacidade criativa, que acabam conduzindo-a a condicionamentos; como se fosse uma ‘obrigação’ seguir padrões. 

— O café estava uma delícia, mas acho bom irmos. Onde você está hospedada? — perguntou à Menina Mestra.

— Em uma pousada próximo daqui —ela respondeu. Era a mesma de Ferhélin. Isto as deixou contentes. Iriam seguir juntas. 

Escutar com o coração e acreditar mais em suas intuições, esta era a mensagem da tarde para Ferhélin.

Logo, as duas estavam a caminho da pousada, entre as montanhas que circundavam o lago Louise.

Após o jantar, iriam se encontrar para o final de noite. 

Nos fundos da pousada, em um gramado ao ar livre, um grupo acendia uma fogueira. Logo, cerca de dez pessoas ficariam sob a noite, aquecendo-se com o seu calor.

Ferhélin, inundada de alegria, observava a amiga que estava à sua frente, encolhida e com as mãos juntas, com os cabelos esvoaçantes e com o olhar mergulhado nas chamas da fogueira, como se estivesse perdida em seu mundo de reflexão e clareza interior.

Um rapaz tocava violão, e as outras pessoas observavam o fogo. Era mais uma noite de Ferhélin nas Montanhas Rochosas e, cada vez mais, ela se considerava uma aprendiz da vida.Ao deitar-se, Ferhélin fez, como de costume, algumas anotações sobre seu dia e logo adormeceu.

Jovem Mestra Lake Louise

Livro Ferhélin, Ouvindo as Estrelas

O livro OUVINDO AS ESTRELAS descreve encontros de uma jovem cientista (Ferhélin) – personagem central do livro, durante sua jornada em terras canadenses. Grande parte do livro tem como cenário as Rochosas Canadenses, com seus cenários únicos e encantadores, nos quais a magia dos cenários funde-se com perspectivas e revelações, aprendizagens e entendimentos que proporcionam a Ferhélin experiências que a ajudam a transcender sua forma de pensar e enxergar o mundo e as pessoas, as ciências e a espiritualidade. Experiências essas que são compartilhadas no livro, o que os leitores poderão atestar no decorrer da sua leitura, conforme os encontros são relatados.

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Imagens (exceto as da capa do livro): Banco de dados Pixabay