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Separando o joio do trigo

Separando o joio do trigo é mais do que um gesto simbólico: é um convite à clareza interior. Um chamado para abandonar velhos padrões e abrir espaço ao que é genuíno. Confira!

A transição da harmonia para a desarmonia — de momentos de êxtase e elevado padrão interior para fases de desequilíbrio e “quedas”, nas quais o humor se esconde e caminhos antes considerados superados reaparecem — parece não combinar com o novo tempo que se anuncia.

Os sentimentos mais genuínos nos conectam ao que temos de melhor qualidade. Quando conseguem emergir, tornam-se tão nítidos e poderosos que nossa forma habitual de pensar nos leva à certeza: “é isso que quero, isso tem a ver comigo”. Ainda assim, em algum momento, tropeçamos novamente nas armadilhas dos velhos hábitos e nas fragilidades da razão.

Isso gera insegurança e insatisfação na caminhada rumo ao novo. E aqui reside um equívoco profundo: interpretar o novo com a linguagem do velho.

Entre essas interpretações ultrapassadas está o hábito de impor a si mesmo a culpa — um dos comportamentos mais comuns do mundo atual. A culpa se apoia em valores distorcidos, ilusórios e muito aquém do mínimo necessário para o autorrespeito.

Quando estreitamos demais nossos horizontes, trazemos à tona valores limitados, sem perspectiva das múltiplas dimensões que compõem a vida. Nessa visão reduzida, os “resultados” passam a definir o que é válido ou não, o que é bom ou não — distorcendo a percepção do todo, muito mais amplo do que conseguimos enxergar.

Se desejamos redirecionar nossa caminhada em direção a uma vida melhor, separar o joio do trigo torna-se essencial. E isso só acontece quando acessamos o que é genuíno em nós, permitindo que o melhor possa emergir.

Esse processo começa ao abandonar a leitura de certo e errado que induz ao medo e à punição. O medo é uma criação virtual do nosso mundo, onde a linguagem equivocada do julgamento se tornou habitual. Esses hábitos fragilizam nossa existência e enfraquecem a expressão do amor e da harmonia.

A força passou a ser buscada na fonte ilusória do temor. A punição — ferramenta do medo — tornou-se linguagem da educação, das religiões, dos governos, das escolas, das famílias e, de forma ainda mais assustadora, do próprio indivíduo.

Hoje, a forma mais invisível de tortura é a autopunição, muitas vezes manifestada como autossabotagem. Esquece-se da cura, da educação e da aprendizagem que podem nascer dos erros.

A percepção do certo e errado é positiva, mas, na lógica atual, o maior juiz de cada um passou a ser a própria mente — usada de forma excessivamente limitada. O discernimento é valioso quando nasce do coração; porém, um pequeno desvio em sua origem pode transformá-lo em algoz de seu próprio criador.

Grandes seres iluminados sempre ensinaram no sentido de fortalecer a harmonia, a felicidade e o amor — nunca o temor. Mas as interpretações humanas distorceram mensagens valiosas, tornando-as amedrontadoras.

E aqui surge um ponto crucial: a “nova era” veta o uso do velho com aparência de novo.

A nova jornada desafia as objetividades do óbvio, abrindo espaço às sutilezas;
é a jornada do acreditar, não do duvidar da vitória do bem;
é a jornada de desafiar o tradicional com respeito e serenidade;
é a jornada de permitir novas descobertas e utilizá-las com sabedoria.
Para isso, um velho jogador precisa deixar o campo: o medo.

A presença do medo sempre traz alguma forma de dano.

A passagem para os novos tempos tem como requisito a substituição do temor pelo amor — uma substituição necessária e definitiva.

O momento é de ascensão rumo à transparência. Cargas e fardos devem ser deixados para trás.

O momento é o de construir o futuro, não de remexer no passado.

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