É possível ir além do pessimismo?

É possível ir além do pessimismo?

É possível ir além do pessimismo?

Dê uma boa olhada nesta flor da foto – é uma flor de lótus, é uma flor especial. Ao final de nossa reflexão voltaremos a ela. 

Começamos nossa reflexão com uma pergunta: Como conviver com as situações que nos cercam no dia a dia, e não ser influenciado pelo pessimismo ou sentimento de impotência frente a tal onda de problemas que permeiam nosso planeta?

Antes de mais nada deveríamos nos perguntar: o que é que me surpreende: os fatos em si ou a revelação desses fatos?

Algo pode estar ocorrendo e eu posso estar ignorando a ocorrência daquilo, por não saber que está acontecendo, por não querer acreditar ou por alguma outra razão.
Muito bem, mas a verdade é uma só, quer eu saiba ou não. A verdade existe por si, independente de eu conhecê-la ou não.

Não podemos mudar a verdade, simplesmente por ignorá-la ou por uma razão ou outra. A verdade tem força e é auto-suficiente, ela não necessita de provas.

Hoje em dia alguém seria capaz de “provar” algo que não é verdadeiro; mas esta “prova”, em algum momento cairá por terra. O que é ‘É’!
De algum modo, a verdade se apresentará – seja no nível íntimo ou público, seja no plano terrestre ou no plano espiritual, seja agora ou no futuro.

Ao nos depararmos com “explicações-desculpas”, várias são as reações que se observam, mas qual seria a eficácia destas reações?

Qual é o impacto destas reações que experimentamos ou observamos, para mim e para o mundo?
Em outras palavras poderíamos nos perguntar: será que ficar reafirmando ou repercutindo indefinidamente possíveis problemas e erros ajuda a melhorar o mundo? Será que a repetição de baixos padrões não reforça ainda mais esses mesmos padrões?
Pensemos no nível íntimo: que efeito existe ao alimentar nossas mentes – de novo e de novo, dia após dia, com ‘tsunamis‘ de problemas que assolam nosso planeta?

Ao observar esse aspecto, tão comum no mundo contemporâneo, podemos nos perguntar: de fato, qual é o nosso relacionamento com o mundo hoje?

Um fato facilmente observável é que em muitos dos casos públicos que invadem as nossas mentes e nossos os lares,  através da televisão, jornais, rádios, revistas e as mídias sociais, a conclusão é clara e de fácil observação, por mais chocante ou surpreendente que uma situação possa ser – seja ela um acidente, um bombardeio ou uma notícia que envolva aspectos de carência moral ou ética. O fato a ser analisado ai é: por que, apesar de todo o nível de informações e conhecimento, ainda assim há o sentimento de impotência em relação ao que é veiculado?

A resposta é simples: o conhecimento dá uma certa sensação de força e de resistência, mas só com o exercício da sabedoria – em que o conhecimento é apresentado em sua plenitude e conectado com outras interfaces do saber, entre as quais deve estar presente a espiritualidade genuína, é que vai haver a expressão de poder interior. Observe que aqui não me refiro a religiões, mas a práticas de valores genuínos, os quais refletem a verdadeira espiritualidade.
E este é um ponto fraco da sociedade que a torna impotente no mundo de hoje – a prática de valores, ou prática da verdadeira espiritualidade no dia a dia, nas ações, na educação e nas famílias está cada vez mais ausente.

Vale ressaltar: rótulos, títulos, classificações e conhecimentos adquiridos pouco valem nesta seara. O que vale é o que praticamos e o que compartilhamos com o mundo ao nosso redor; sejam atos de bondade ou de egoísmo, de gratidão ou de orgulho, de simplicidade ou de arrogância. No fundo, o que vale é o que está em nossa alma e o que nossa consciência tem guardado em sua essência. Esses refletirão o nosso padrão individual, seja ele bom ou não.

Apenas ter ou conhecer a informação em pouco ajuda. Várias vezes isso até mesmo polui e confunde a mente de quem não sabe o que fazer com aquela informação. O conhecimento só vai se traduzir em potência viva, quando houver verdade em ação, e não pode haver verdade sem a inclusão das forças moral e ética da espiritualidade. E isso só é possível com a prática das essências do conhecimento de Deus e não com a superficialidade do conhecimento de uma ou outra doutrina religiosa. Por mais que alguém seja um erudito e conheça toda a base teórica de uma doutrina, se não houver amor verdadeiro no coração, a real absorção daquele conhecimento não se refletirá em suas ações.

Parece óbvio, não é?

Na sociedade humana – pelo menos 80% de seus componentes declaram ter fé em Deus. Mas, em regra geral, esta mesma sociedade está tentando criar regras sem considerar as leis de Deus.
E por que isso ocorre?
Num primeiro nível, porque ela não tem nem ideia de quais são as leis de Deus. Mas como? E todo o ensinamento das religiões?

É triste dizer isso, mas em grande maioria, as religiões e as pessoas que as representam se afastaram da essência do conhecimento que professam. Há louváveis exceções de algumas poucas pessoas que conseguem se sintonizar com a essência do que proferem. Tanto em termos de líderes ou simples pessoas de fé que seguem alguma linha religiosa. Essas pessoas são pilares espirituais em nosso planeta, sejam elas conhecidas ou totalmente anônimas; não importa, o que vale é a luz das ações delas no dia a dia de suas vidas, sustentando o bem, inspirando outros e estabelecendo referências genuínas para quem tem a fortuna de conseguir percebê-las no mundo.

No fundo, o que afasta uma pessoa de ser ela mesma, ou seja, seu melhor ‘eu’?

O simples fato de se afastar da simplicidade e da humildade, do amor e da benevolência – em outras palavras, se afastar da essência dos ensinamentos de Deus.

Muito se fala, muito se analisa, muito se estuda, mas pouco, muito pouco se pratica daquilo que é falado ou estudado. Isso também se reflete nas vidas de muitos que se dizem religiosos, mas que, de fato, perderam sua ligação com Deus e com as essências de seus ensinamentos.
Há muitos preparados para analisar e discorrer sobre os conhecimentos a que têm acesso, mas poucos são os que sabem sentir a essência daqueles conhecimentos.

Quando analisamos algo, de algum modo, criamos expansão. Muitas vezes esta expansão nos distancia da fonte. Se não há o equilíbrio entre saber analisar e chegar à essência, não haverá poder interior.

Através de práticas milenares, sábios ensinam que o conhecimento é muito importante, mas quando colocado na prática. Vários destes sábios permearam algumas das várias tradições religiosas e alguns sábios vivem dentre os quase 8 bilhões de pessoas que vivem em nosso planeta. Vale a pena percebê-los e  notar como a simplicidade e o amor são fatores fundamentais em suas atitudes. Jamais a arrogância ou a agressividade, jamais o excesso de personalismo e o egoísmo. Percebê-los é um desafio nos dias de hoje em que a auto-promoção e a auto-exposição se fazem tão marcantes em nossa sociedade.

Cora Coralina, site intuicao.com, intuição

A prática começa, antes de mais nada com cada um de nós. Não é com o vizinho, com o governo, com as instituições ou com aqueles que admiramos; começa – de fato, dentro de cada um.

Ao pensarmos se é possível não ser afetado pelas ondas de pessimismo que nos cercam, penso que um primeiro passo seja o de entender qual é o nosso papel neste mundo.
Entendendo nosso papel, haverá mais humildade de nossa parte – de cara perceberemos o quão limitados somos em relação aos nossos propósitos. Isso nos mostrará o quanto temos que melhorar e mudar para chegar onde sabemos ter que chegar.
Sabedores de nossas limitações, como seres humanos normais que somos, fica mais fácil entender os papéis dos outros, e aceitar suas limitações e interesses. Isso também inclui as limitações e interesses das mídias e das instituições que existem em nosso planeta – que são mantidas e conduzidas por seres humanos também. Penso que lembrar isso nos ajuda, de modo gradual, a aprendermos a observar as situações sem cair na armadilha de reclamar ou lamentar.
Com o tempo, sem o hábito de ficar reclamando ou lamentando, torna-se mais fácil perceber como podemos contribuir as situações como nos são apresentadas – seja numa conversa, numa brincadeira de mau gosto, na lamentação de alguém ou na notícia da mídia.
Percebemos que nossas atitudes dependem de nosso equilíbrio interior e perceberemos que podemos ajudar sim, seja através de ter bons pensamentos, meditar, orar, mudar o foco do assunto ou simplesmente não ficar repetindo aquilo que pensamos não irá ajudar em nada ficar falando e amplificando. Seja sobre um desastre natural ou sobre uma informação de algum ato de violência ou que quer que seja falado.

Então, um primeiro passo, é o de simplesmente não nos tornarmos amplificadores daquilo que não queremos no mundo.

Um segundo aspecto é termos clareza quanto a nossos direitos, assim como, ter claro quais são nossas responsabilidades, nunca esquecendo que estamos todos no mesmo barco.
Este senso de responsabilidade conduz a um equilíbrio: entre o que temos direito de receber e o que temos que fazer para interagir da maneira mais correta que pudermos.
A conquista deste equilíbrio inicia-se com o autoconhecimento.
O processo de autoconhecimento é um processo constante e revelador, no qual estamos sempre a descobrir planos diferentes daqueles que estamos acostumados.

Então, um outro passo a dar é o de simplesmente ativar o senso de responsabilidade que temos para com o mundo e isso é potencialmente viável quando o fazemos aliado ao nosso propósito nessa vida

Conforme adentramos nosso universo interior, vamos ultrapassando camadas até chegarmos ao cerne – a essência, o diamante vivo de energia consciente que nos torna valiosos e nos capacita a entender as cenas ao nosso redor e a conviver com tudo, como no exemplo da flor de lótus – a flor que convive em um ambiente adverso de sujeira e lodo, mas que não perde sua integridade, beleza e fragrância.

Aí então, inspirados no exemplo da flor de lótus, a resposta à pergunta: ‘é possível vencer ir além do pessimismo?’ terá uma resposta íntima, de cada um de nós, que virá de dentro da alma. Mas creio que, em geral, nos mostrará algo não muito distante da sensação de que, como sociedade humana, ainda temos muito a caminhar. Poucos podem ser considerados próximos de um estado de perfeição em nosso planeta, mas fica o exemplo da flor de lótus, que à sua maneira não adere ao que está ao seu redor; em vez disso embeleza-o, simplesmente sendo ela mesma.

É possível sermos como a flor de lótus, só depende de cada um de nós.

Autor: Herbert Santos Silva
site intuicao.com
Foto: disponibilizada por Pixabay